Em um mundo cada vez mais cheio de informações, estudar atualidades pode se tornar um duelo. Com uma pandemia, uma intricada crise financeira e uma guerra ocorrendo ao mesmo tempo, porquê escoltar todos os acontecimentos do Brasil e do mundo e estudá-los de uma forma saudável?
Cá no GUIA DO ESTUDANTE sugerimos filmes, séries, podcasts e newsletters que podem servir porquê um esteio para estes estudos. Mas na hora da prática, é preciso saber filtrar, organizar e estruturar todas essas dicas em um projecto de estudos. Para isso, convidamos a professora Fabiana Pegoraro, doutoranda de Geografia Humana na Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora de geografia do Escola Rio Branco. Confira as cinco dicas elencadas por ela:
1 – Desenvolva um filtro para fontes confiáveis
A Rússia é acusada de fornecer armamentos e munições para os rebeldes da Ucrânia, conflito que assombra o país desde fevereiro de 2022. Getty Image/Reprodução
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No dia em que a Rússia iniciou o ataque militar na Ucrânia, chamou atenção nas redes sociais a rapidez com que alguns perfis zero especializados se tornaram, do dia para a noite, veículos de cobertura de guerra. Em uma guerra por likes e engajamento, páginas que antes cobriam o universo do entretenimento ou assuntos correlatos viram na guerra uma oportunidade de aumentar o número de curtidas e seguidores – por vezes utilizando informações não checadas, técnicas sensacionalistas e vídeos desconexos.
“Hoje em dia, as informações de todos os tipos circulam muito aleatoriamente”, diz a professora. “Eu sei que os jovens gostam muito de redes sociais, mas a primeira dica que eu dou é: tenha um filtro na hora de consumir essas informações. É em um site confiável, de um veículo de informação? Quem é que está falando? Essa pessoa estuda qualquer tema nessa dimensão? Ele é profissional nesse tema? Ou ele é somente um palpiteiro?”
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Em um mundo do dedo sobrecarregado de opiniões, é importante filtrar a manadeira dos conteúdos. Ainda no caso da Guerra da Ucrânia, outro ponto que chamou a atenção foi a quantidade de celebridades dando aulas nas redes sociais sobre os acontecimentos. A professora recomenda que na hora de procurar informações sobre um tema da atualidade, o aluno tenha um discrição aguçado em relação a quem está falando.
“Uma nascente confiável é aquela pessoa que realmente estuda sobre aquilo, que tem uma curso sobre aquele objecto”, afirma. “Tem especialistas do tema falando nas redes sociais, mas ao mesmo tempo tem muita gente que nunca estudou aquilo na vida e de repente é perito em vacina, em guerra etc. E está ali dando o seu pressentimento”.
2 – Repare nas notícias que são repetidas na programação dos veículos
No dia 25 de abril de 2015, uma série de terremotos atingiu o Nepal, país asiático localizado na região dos Himalaias. Um dos tremores foi o mais possante a atingir o país em 81 anos, chegando à magnitude de 7,8 graus na graduação Richter. Mais de 8 milénio pessoas morreram e várias construções desabaram, incluindo templos e museus. Getty Images/Reprodução
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É muito generalidade que casos de política, economia ou até mesmo de uma guerra e de pandemia, porquê no cenário atual, tenham desdobramentos diários. E escoltar cada novidade notícia sobre eles é não somente exaustivo, porquê também desnecessário.
“Quando um evento é realmente importante, ele vai trazer efeitos para sociedade em diversas escalas. Ele não vai sobrevir em um dia e morrer no dia seguinte. Ele vai estar reverberando por qualquer tempo – nem que seja por, pelo menos, uma semana”, diz Fabiana.
A dica prática que a professora dá é: fique de olho nos temas mais frequentes no noticiário.
“É fácil identificar porque são as coisas que ficam se repetindo na mídia. A mídia tem essa particularidade de permanecer a semana inteira falando sobre aquele objecto. Logo se aconteceu e está repetindo a semana inteira, fica circunspecto porque é uma coisa importante”, aconselha.
3 – Crie uma tábua de justificação e consequência e atualize semanalmente
Em decorrência da pandemia de coronavírus, o Enem Do dedo 2020 foi realizado com medidas de segurança. Marcelo Camargo/Escritório Brasil
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Focar na relação de desculpa e consequência é uma das sugestões da professora para os estudantes que querem escoltar as atualidades. Ela explica que o Enem e os grandes vestibulares não vão cobrar a opinião do candidato sobre determinado evento, mas sim seu posicionamento crítico sobre aquele ponto e a capacidade de conectá-lo com as matérias vistas em sala de lição.
“Na hora de estudar qualquer facto contemporâneo, divida o objecto em uma tábua com duas colunas: culpa e consequência. Vejamos, por exemplo, a Guerra na Ucrânia: você coloca as causas do conflito um lado, e as consequências do outro”, sugere.
Para quem quer se aprofundar ainda mais, a professora sugere ramificar essas colunas em outras. “Subdividir a poste das causas a partir do ponto de vista da Rússia, do ponto de vista da Ucrânia, da Otan. Mesma coisa nas consequências, dá para reparti-la a partir do ponto de vista dos Estados Unidos, da Rússia, da Ucrânia etc.”, explica.
Para ela, um ritmo saudável para juntar novas linhas à tábua seria uma ou duas vezes por semana. E, é evidente, fabricar novas tabelas caso outros grandes acontecimentos apareçam.
4 – Foque no recorte de tempo cobrado nas provas
“Precisamos continuar a responsabilizar os líderes por suas ações. Não podemos permanecer calados sobre a injustiça climática”, escreveu Vanessa Nakate durante a COP26, em 2021. Instagram/Divulgação
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De forma universal, os vestibulares não costumam cobrar acontecimentos de atualidade que ocorreram às vésperas da prova – nesta reportagem, explicamos que isso ocorre porque a prova do Enem é fechada com meses de antecedência.
Essa informação pode ser valiosa para que o estudante defina um recorte de tempo em relação aos estudos.
“Normalmente, e digo isso de forma universal, os vestibulares e o Enem pegam acontecimentos da segunda metade do ano anterior até a metade do ano que ele vai ocorrer”, afirma Fabiana. “Hoje, eu indicaria estudar os acontecimentos a partir da segunda metade de 2021 até junho, julho de 2022.”
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A professora explica que não é necessário decorar datas e nomes, mas também não é indicado simplesmente ignorá-los.
“Minha dica é: se não lembra, não coloca. É melhor não colocar do que colocar falso”, diz. “Por exemplo, se você não lembra o nome do Zelensky, coloca exclusivamente ‘presidente da Ucrânia’. Se você não recorda a data específica, coloca um recorte aproximado, porquê ‘há alguns anos’, ou ‘na segunda metade dos anos de 2010’, ou ainda ‘no século 19’. É bacana mostrar que você tem uma noção do tempo, isso é importante”, pondera.
5 – Reconheça os temas “favoritos” dos vestibulares
De congraçamento com o Elevado Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, o número de pessoas refugiadas porquê resultado das mudanças climáticas gira em torno dos 21,5 milhões por ano, desde 2010. Getty Images/Reprodução
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Na maior secção das vezes, as questões de atualidades dos vestibulares cobram do candidato a associação de determinado facto com qualquer teor estudado no Ensino Médio. Por conta disso, há algumas categorias de acontecimentos que, historicamente, figuram com frequência nas provas.
“Conflitos, por exemplo, é uma coisa que sempre ganha destaque”, diz a professora. “Em 2022, além das eleições, a gente tem Despensa do Mundo, logo o Espiolhar é um país que vai estar em evidência.”
Ou por outra, ela também destaca os problemas socioambientais porquê uma aposta para as provas. “Toda a situação de Petrópolis, o vulcão na Ilhéu de La Palma, a questão do desmatamento e da crise da chuva, as mudanças climáticas, a COP26”, exemplifica.
Fabiana, porém, adverte que vestibulares mais críticos podem fazer uma abordagem dissemelhante da tradicionalmente esperada.
“Estou vendo muito o pessoal das Ciências Humanas questionar por que que a mídia dá tanta atenção para a Guerra na Ucrânia, sendo que tem uma guerra acontecendo no Iêmen há alguns anos e ninguém fala disso. Logo, um vestibular porquê o da Unicamp e da Fuvest, ao invés de pegar a guerra da Ucrânia, que está ‘manjada’, pode cobrar guerra do Iêmen ou qualquer outro conflito”, avalia.
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